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Galvão Bueno se emociona, lembra Pato no Inter e deixa recado sobre seu futuro em Copas

Homenagem do SBT ligou a final de 2026 ao Mundial colorado de 2006

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Galvão Bueno encerrou a Copa do Mundo de 2026 com a voz ainda carregada pela final e o coração tomado por memórias. Depois de narrar a vitória da Espanha por 1×0 sobre a Argentina, na prorrogação, o comunicador recebeu uma longa homenagem preparada pelo SBT e pela N Sports. O momento transformou o fim da transmissão em uma despedida que misturou televisão, futebol e uma lembrança especialmente colorada.

A montagem reuniu mensagens de companheiros de diferentes fases da carreira, entre eles Tino Marcos, Mauro Naves, Arnaldo César Coelho, Kaká, Boni e Faustão. Visivelmente tocado, Galvão agradeceu à família, aos profissionais que trabalharam nos bastidores e ao público brasileiro. Porém, foi quando se virou para Alexandre Pato que a homenagem ganhou uma ligação direta com uma das noites mais importantes da história do Inter.

“Esse aqui, ele tinha 17 aninhos […] carregou a bola com o ombro assim e eu estava narrando. Depois você foi pro Milan e ficou esperando pra completar 18 anos. E eu pude transmitir você campeão do mundo, cara. É muito especial”, declarou Galvão, olhando para Pato.

A cena lembrada pelo narrador remete ao jovem que surgiu de forma meteórica no Inter em 2006. Pato estreou no time profissional aos 17 anos, marcou logo no começo da goleada por 4×1 sobre o Palmeiras, na última rodada do Brasileirão e, poucas semanas depois, viajou ao Japão para disputar o Mundial de Clubes. Na semifinal contra o Al Ahly, marcou um gol e protagonizou as famosas embaixadinhas com o ombro perto da linha lateral.

Aquela ousadia se tornou uma das imagens eternas da campanha colorada. Pato também começou como titular na decisão contra o Barcelona, vencida pelo Inter por 1×0 com gol de Adriano Gabiru. O atacante ainda era um adolescente, mas já carregava o peso de uma conquista mundial. Anos depois, ele voltaria a revelar bastidores daquele título e da conversa com Ronaldinho antes da final.

Ao ouvir Galvão recuperar aquela memória, Pato também se emocionou. O ex-atacante deixou de lado o papel de comentarista e falou como o menino que acompanhava as narrações do ídolo antes de dividir com ele uma cabine em uma Copa do Mundo.

“É emocionante porque eu lembro de você em 94, quando eu fui na casa da minha tia. Lá estava toda a minha família e eu lembro que eu saía na rua gritando com seus gols e hoje fazer uma Copa do seu lado, pra mim, é uma realização de um sonho que eu não consegui jogar, mas isso aqui é praticamente como jogar uma Copa do Mundo. Obrigado, Galvão. Um grande prazer”, respondeu Pato.

Inter de 2006 atravessa despedida de Galvão

O encontro entre os dois personagens fechou um ciclo improvável e bonito. Galvão narrou a explosão de Pato, acompanhou o título mundial do Inter e, duas décadas depois, teve o antigo atacante ao seu lado durante o torneio mais importante do futebol. A homenagem não ficou limitada à carreira do narrador. Ela também resgatou uma geração e um capítulo que permanece vivo entre os colorados.

Durante a Copa, Pato já havia reforçado publicamente a ligação com o Inter. Ao receber uma camisa colorada nos Estados Unidos, disse que, se fosse cortado, sairia vermelho de dentro dele. Também declarou amar o clube que lhe abriu as portas e manifestou o desejo de vê-lo novamente no topo do mundo.

A parceria com Galvão no SBT acrescentou outra camada à trajetória do ex-jogador, agora diante das câmeras e dos microfones. A proximidade permitiu que duas histórias separadas por quase 20 anos se encontrassem: a do adolescente que encantou o planeta com a camisa do Inter e a do narrador que transformou seus primeiros lances em acontecimentos nacionais.

Galvão Bueno e Alexandre Pato
Foto: SBT

A final também marcou a Espanha como bicampeã mundial. Depois do título conquistado em 2010, a seleção europeia voltou ao topo com gol de Ferran Torres aos 106 minutos. Galvão deu voz ao momento e, na sequência, precisou encarar a pergunta que acompanhou toda a reta final do torneio: aquele havia sido o último jogo de Copa narrado por ele?

A resposta não foi apresentada como uma aposentadoria definitiva. Aos 75 anos, perto de completar 76, Galvão reconheceu que uma nova Copa na narração exigiria outro tipo de esforço. Ao mesmo tempo, deixou aberta a possibilidade de seguir no evento em uma função diferente, como comentarista ou apresentador.

“Eu não sei daqui a quatro anos se aqui vou estar. Eu não sei com que saúde vou estar. Então não é mais pra pensar em narração. Eu fazer um comentário pra todo mundo, apresentar um programa, é uma coisa completamente diferente. Então vamos deixar isso aberto e que Deus, Deus sabe o que faz”, afirmou.

Galvão ainda disse esperar ter saúde para continuar trabalhando. O narrador ressaltou que a experiência de 2026 foi especial pelo tamanho da equipe, pelo reencontro com amigos e pelos milhões de brasileiros que acompanharam as transmissões. A emoção mostrou que o encerramento não era apenas o fim de um jogo, mas a despedida de uma função exercida durante décadas.

Ele já havia se emocionado ao narrar o último jogo do Brasil naquela Copa, na eliminação para a Noruega. Na ocasião, reconheceu a dificuldade de imaginar uma nova edição do torneio aos 80 anos. Depois da decisão entre Espanha e Argentina, a homenagem deu ao encerramento uma dimensão ainda maior.

No centro daquela cena estavam Galvão e Pato. Um carregava a história de 14 Copas. O outro carregava, nos ombros, a lembrança de um lance que atravessou gerações e ajudou a eternizar o Inter de 2006. Quando os dois se abraçaram diante das câmeras, a homenagem do SBT encontrou sua imagem mais forte: o narrador que contou a história e o menino que virou campeão mundial.

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