
O Inter viveu uma virada histórica a partir de 2004, quando Fernandão deixou o futebol francês e aceitou vestir a camisa colorada. A chegada do atacante não foi apenas uma contratação importante. Ela virou símbolo de um projeto que mudou o clube dentro de campo, no vestiário e na relação com a torcida. O centroavante chegou ao Beira-Rio em meio a uma disputa com o Flamengo, mas a conversa com Fernando Carvalho foi decisiva para mudar o rumo da história colorada.
Fernando Carvalho já observava Fernandão desde o fim dos anos 90, quando o jogador ainda atuava pelo Goiás. A oportunidade real apareceu em 2004, depois da passagem do atleta pela França. O Inter se movimentou rápido, enquanto o Flamengo também tinha negociação avançada. O dirigente colorado, então presidente do clube, viajou a Goiânia para encontrar pessoalmente o jogador e apresentar o projeto colorado.
O encontro ocorreu em uma churrascaria e durou cerca de cinco horas, segundo relato recuperado pelo Zona Mista. Fernando Carvalho apresentou o desejo do Inter de voltar às competições sul-americanas e mostrou que o clube buscava reorganização esportiva. A decisão de Fernandão pesou pela confiança no projeto e também pela palavra assumida naquela conversa.
“Peguei um avião para Goiânia, e Fernandão e seu representante me esperaram no aeroporto. Fomos para uma churrascaria e conversamos por cerca de cinco horas. Expliquei o projeto do Inter, nosso desejo de voltar aos torneios sul-americanos e Fernandão gostou. Ele apertou minha mão e disse que jogaria no Inter”, contou Fernando Carvalho.
A negociação ainda teve tensão porque Fernandão viajou ao Rio de Janeiro depois da conversa. O movimento gerou rumores sobre um possível acerto com o Flamengo. Fernando Carvalho, porém, confiava que a palavra dada pelo jogador seria mantida. O futuro capitão foi ao Rio apenas para comunicar que não jogaria na Gávea e que defenderia o Inter.
Fernandão mudou o Inter logo na estreia em Gre-Nal
A resposta em campo veio de forma imediata. Fernandão estreou pelo Inter em 10 de julho de 2004, justamente em um Gre-Nal no Beira-Rio. O atacante saiu do banco, entrou no segundo tempo e marcou de cabeça o segundo gol da vitória colorada por 2×0. Aquele lance se tornou o gol 1000 da história dos Gre-Nais.
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O gol na estreia aproximou Fernandão da torcida de maneira instantânea. O jogador chegou ao clube sem ser plenamente conhecido pelo público gaúcho, mas saiu daquele clássico com lugar especial na memória colorada. Rafael Sobis avisou o companheiro, ainda na comemoração, que ele havia marcado o milésimo gol do clássico.

A história não parou naquele Gre-Nal. Fernandão virou liderança técnica, emocional e simbólica do Inter. O site oficial do clube trata o ex-jogador como “Eterno Capitão” e destaca a seriedade com que ele viveu sua passagem pelo Beira-Rio. O atacante passou a representar uma equipe que cresceu, amadureceu e chegou ao topo da América e do mundo.
Em 2006, Fernandão foi capitão do time campeão da Conmebol Libertadores e do Mundial de Clubes. O Inter lembra, em sua página histórica, que a equipe liderada por ele buscou o título continental com campanha forte e quase invicta. No Japão, o time de Abel Braga venceu o Barcelona por 1×0 e conquistou o mundo com Fernandão entre os titulares da final.
Os números também reforçam o tamanho da passagem. Fernandão disputou 190 partidas pelo Inter e marcou 77 gols. Conquistou Conmebol Libertadores, Mundial, Recopa Sul-Americana e dois Gauchões como jogador colorado. Depois, ainda voltou ao clube como dirigente e treinador, mantendo uma ligação que ultrapassou o campo.
A contratação que começou em uma viagem de Fernando Carvalho a Goiânia se transformou em uma das decisões mais marcantes da história recente do Inter. Fernandão não foi apenas o camisa 9 de um ciclo vencedor. Ele virou capitão, referência, ídolo e símbolo de uma mudança de patamar no Beira-Rio. Por isso, sua chegada segue como uma das histórias mais importantes para entender o Inter campeão da América e do mundo.
Fernandão morreu em 7 de junho de 2014, aos 36 anos, em um acidente de helicóptero em Goiás. A história, porém, nunca saiu do Beira-Rio. Nos tempos de hoje, o eterno capitão colorado segue homenageado no pátio do estádio, em uma estátua que o retrata erguendo a taça do Mundial de 2006, símbolo máximo da era que ajudou a construir no Inter.


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