
HISTÓRIA
Paolo Guerrero está vivendo uma reta final de carreira com forte carga emocional. Aos 42 anos, o ex-centroavante do Inter renovou com o Alianza Lima para a temporada de 2026 e já indicou que este será seu último ano como jogador profissional. A despedida acontece no clube do coração, onde ele voltou para encerrar uma trajetória marcada por gols, títulos, polêmicas, lesões e idolatria no futebol sul-americano.
O assunto também mexe com a memória do torcedor colorado. Guerrero chegou ao Inter em 2018 como contratação de impacto, vestiu inicialmente a camisa 79 em alusão ao título brasileiro invicto de 1979 e carregou a expectativa de recolocar o clube em grandes decisões. A passagem não terminou com taças, mas teve gols importantes, uma temporada de alto nível em 2019 e um debate que permanece até hoje entre custo, artilharia e ausências.
No Peru, o momento atual tem outro peso. Guerrero foi campeão pela primeira vez com a camisa do Alianza Lima, clube onde iniciou sua relação com o futebol e pelo qual sempre declarou carinho. A taça veio após vitória por 3×0 sobre o Los Chankas, no Estádio Alejandro Villanueva, o tradicional Matute. Para um jogador que rodou por Alemanha, Brasil, Argentina e Equador, vencer em casa ganhou um significado especial.
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A cena emocionou a torcida peruana e também chamou atenção de quem acompanhou sua carreira no Brasil. Guerrero voltou ao Alianza em agosto de 2024, depois de deixar o César Vallejo, e transformou o retorno em uma espécie de último capítulo competitivo. Em 2026, o roteiro ganhou ainda mais força com a renovação, a conquista do Apertura e a proximidade da aposentadoria.
Guerrero foi mascote do Alianza Lima quando criança
A ligação de Guerrero com o Alianza Lima começou muito antes da carreira profissional. Nascido em Lima, ele cresceu no bairro de Chorrillos, em uma infância marcada pela bola nas ruas e pela influência familiar. O futebol vinha de casa, especialmente pelo lado materno. O nome mais simbólico dessa história era José “Caico” Gonzales Ganoza, tio de Guerrero e goleiro do Alianza Lima.
Quando criança, Guerrero era muito próximo de Caico e o futuro centroavante acompanhava o tio nos jogos em casa e era tratado como mascote da equipe. A imagem é forte para entender o retorno atual ao clube. Antes de ser ídolo peruano, campeão mundial pelo Corinthians e reforço badalado do Inter, Guerrero já entrava no ambiente do Alianza como um menino ligado ao vestiário.
A história também tem um lado trágico. Caico morreu em 1987, aos 33 anos, no acidente aéreo que vitimou jogadores, reservas e integrantes da comissão técnica do Alianza Lima. Guerrero tinha apenas três anos. O episódio virou uma das maiores feridas da história do futebol peruano e marcou profundamente a família do atacante.
Por isso, o título recente pelo Alianza Lima vai além da estatística. Para Guerrero, levantar uma taça pelo clube representa fechar um círculo aberto ainda na infância. É o menino que acompanhava o tio goleiro, depois virou promessa da base, saiu para a Europa e voltou décadas depois para ganhar como protagonista. A despedida, nesse contexto, tem força de história familiar.
Guerrero começou nas categorias de base do Alianza Lima e saiu ainda jovem para a Alemanha. O destino foi o Bayern de Munique, onde iniciou a caminhada europeia antes de passar pelo Hamburgo. Depois, construiu longa trajetória na América do Sul, com passagens por Corinthians, Flamengo, Inter, Avaí, Racing, LDU e César Vallejo. O retorno ao Alianza, portanto, não foi apenas mais uma transferência.
O atacante falou sobre a emoção logo depois da conquista recente. A declaração ganhou repercussão porque misturou alívio, orgulho e pertencimento. Em vez de tratar a taça como rotina, Guerrero destacou o retorno às origens e o sentimento de levantar um troféu pelo clube que sempre teve como referência afetiva.
“Estou muito emocionado. Voltar às minhas origens, a minha casa, era algo que pensava há algum tempo. Fico feliz de levantar essa taça pelo maior clube do país, o meu clube. Fizemos uma grande competição”, afirmou Guerrero ao comentar o título conquistado pelo Alianza Lima.
O plano de despedida já havia sido colocado publicamente meses antes. Em entrevista ao UOL, no Jogo das Estrelas do Zico, no Maracanã, Guerrero disse que pretende jogar a temporada de 2026 e depois encerrar a carreira. A renovação com o Alianza Lima encaixa justamente nesse roteiro. O contrato por mais um ano permite que ele se despeça competindo por títulos e diante da própria torcida. “Jogo mais um ano, em 2026, e depois me aposento. Depois, vamos ver”, disse Guerrero ao UOL.
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A passagem pelo Inter ajuda a entender o tamanho do personagem. Anunciado em agosto de 2018, o peruano assinou contrato por três temporadas, até agosto de 2021. A chegada causou enorme expectativa e teve forte apelo comercial. A camisa personalizada de Guerrero vendeu quase 3 mil unidades nas primeiras 24 horas nas lojas oficiais do clube.
Dentro de campo, porém, a estreia demorou. A punição por doping voltou a valer pouco antes do primeiro jogo previsto pelo Inter, e Guerrero só pôde atuar oficialmente em abril de 2019. O começo, ainda assim, foi marcante. Ele estreou com gol contra o Caxias, pelo Gauchão, e logo depois marcou duas vezes contra o Palestino, pela Conmebol Libertadores.
O melhor ano do centroavante no Inter foi 2019. Naquela temporada, Guerrero marcou 20 gols em 41 partidas e foi protagonista na campanha que levou o clube à final da Copa do Brasil. O Colorado acabou vice diante do Athletico-PR, e o peruano passou em branco nas decisões. Esse detalhe pesou na avaliação de uma passagem que teve bons números, mas não teve títulos.
Ao todo, Guerrero disputou 72 jogos pelo Inter, com 32 gols e três assistências. Foram 41 partidas e 20 gols em 2019, 15 jogos e 10 gols em 2020, além de 16 partidas e dois gols em 2021. A média de gols foi relevante, mas as ausências também marcaram o período. Lesões, recuperação no joelho direito e a própria suspensão inicial reduziram a sequência do atacante no Beira-Rio.
O fim da passagem aconteceu em outubro de 2021, com rescisão em comum acordo. Guerrero tinha contrato até o fim daquele ano, mas antecipou a saída para tratar dores no joelho. O encerramento foi melancólico para um jogador que chegou como estrela sul-americana. Mesmo assim, os 32 gols ainda fazem parte da memória recente do torcedor colorado.
O título de campeão pelo Alianza Lima dá à despedida um tom mais bonito. Guerrero não está apenas cumprindo contrato aos 42 anos. Ele ainda compete, marca gols e participa de uma conquista relevante no clube do coração. A imagem do veterano levantando uma taça no Matute resume bem a fase final de uma carreira que atravessou continentes e deixou marcas também no Inter.
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