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De urgência a oportunidade: Inter reforça ataque e mantém porta aberta para Álex Arce

Colorado atacou um problema evidente do time sem abandonar a cautela com o caixa

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O Inter encontrou no mercado internacional duas fórmulas diferentes para atacar um dos principais problemas apresentados pela equipe em 2026 sem assumir imediatamente grandes investimentos em transferências. Niclas Eliasson e Antonio Sanabria chegaram ao Beira-Rio depois de operações construídas para caber na realidade financeira colorada, em um momento no qual o clube precisava aumentar as alternativas ofensivas.

Os dois negócios não tiveram exatamente o mesmo formato. Eliasson chegou por empréstimo do AEK, da Grécia, até junho de 2027. O Inter assumiu o pagamento de € 300 mil pela cessão, dividido em parcelas, e preservou uma opção para comprar o jogador posteriormente. Portanto, houve desembolso, mas muito inferior ao que seria necessário para uma aquisição definitiva imediata.

Com Sanabria, a engenharia foi ainda mais favorável ao caixa neste primeiro momento. O Inter não precisou pagar compensação financeira à Cremonese para adquirir o atacante. O clube italiano aceitou encerrar o vínculo com o paraguaio e preservou 50% dos direitos econômicos, enquanto o Colorado iniciou a relação com a outra metade e poderá ampliar gradualmente sua participação durante o contrato.

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As duas operações ajudam a explicar a estratégia utilizada por uma direção que precisava reagir esportivamente, mas continua convivendo com limitações financeiras. Em vez de comprometer milhões de euros em compras imediatas, o Inter buscou jogadores de ataque no exterior por modelos que distribuem ou adiam o impacto no caixa.

Inter foi ao mercado depois de criar muito e converter pouco

A escolha por reforçar a frente também encontra respaldo dentro de campo. Depois de 23 partidas pelo Brasileirão, o Inter havia criado 53 situações classificadas como grandes chances de gol. Apenas quatro equipes tinham produzido mais oportunidades desse tipo naquele estágio da competição.

O problema aparecia na conclusão. Somente 15 dessas 53 grandes chances terminaram em gol, o equivalente a 28,3% de aproveitamento. O índice colocava o Colorado entre os times de menor eficiência do campeonato justamente nas oportunidades em que a probabilidade de marcar era considerada elevada.

Não se tratava, portanto, apenas de um ataque incapaz de chegar. O Inter conseguia construir uma quantidade relevante de situações favoráveis, mas desperdiçava parte importante da produção. O diagnóstico ajudou a aumentar a necessidade de acrescentar características diferentes ao setor ofensivo.

Eliasson chega para atuar principalmente pelos lados, com capacidade de velocidade, criação e assistência. O sueco de 30 anos construiu a carreira no futebol europeu e já defendeu a seleção principal da Suécia. O Zona Mista mostrou anteriormente os valores e a estrutura financeira utilizados pelo Inter para contratar Eliasson.

Sanabria chega para outra função. Centroavante de origem, o paraguaio foi contratado para disputar a referência da área. Também tem experiência internacional, soma longa trajetória pelas ligas da Espanha e da Itália e esteve com a seleção do Paraguai na Copa do Mundo de 2026.

Saídas deixaram Inter com poucas alternativas de centroavante

A redução das opções para a posição aconteceu em momentos diferentes. Enner Valencia deixou o Beira-Rio ainda em setembro de 2025, quando encerrou sua passagem pelo clube e retornou ao futebol mexicano.

Borré permaneceu durante o primeiro semestre de 2026, mas também saiu. Em julho, o Inter chegou a um acordo para vender o colombiano ao River Plate. O Zona Mista acompanhou a transferência definitiva de Rafael Borré para o clube argentino.

Depois dessa negociação, Alerrandro ficou como o único centroavante de origem já integrado de forma permanente ao elenco profissional. Paulo Pezzolano ainda tinha jovens como Raykkonen, João Bezerra e Fabrício Prado para a função e chegou a trabalhar com Vitinho de falso 9 e outras alternativas adaptadas durante a necessidade de encontrar soluções.

Foi nesse contexto que o mercado por um camisa 9 ganhou importância. Álex Arce apareceu durante semanas como o principal nome observado, enquanto Cédric Bakambu também entrou nas tratativas. O cenário, porém, mudou quando o Inter encontrou uma oportunidade para fechar com Sanabria.

O paraguaio encerrou a urgência de entregar imediatamente outro centroavante ao treinador. A direção passou a ter margem para observar o restante da janela sem precisar aceitar qualquer condição financeira apenas para preencher a posição.

Álex Arce deixa de ser urgência e vira oportunidade para o Inter

Álex Arce não desapareceu completamente do radar. O centroavante paraguaio pertence ao Independiente Rivadavia, da Argentina, e continua sendo um jogador conhecido e avaliado pela direção colorada. A diferença está no estágio e no peso que sua contratação possui atualmente.

Neste momento, não existe uma nova proposta oficial apresentada pelo Inter. O que permanece é uma sondagem e o conhecimento das condições para um eventual negócio. O Rivadavia chegou a trabalhar com cifras superiores a US$ 4 milhões, valores que não cabem na realidade colorada para uma operação imediata.

Arce deseja atuar no Inter e, segundo Alexandre Ernest, seu empresário é torcedor colorado, fatores que podem ajudar se uma oportunidade financeira diferente surgir. A eliminação do Independiente Rivadavia na Conmebol Libertadores também retirou a barreira esportiva que existia anteriormente. Ainda assim, nenhum desses elementos obriga o Colorado a acelerar uma compra depois da chegada de Sanabria.

Uma eventual retomada precisaria acontecer em outras condições. Parcelamento, entrada menor ou alguma mudança significativa na disposição do clube argentino poderiam reabrir o caminho. Sem isso, o Inter não pretende realizar uma operação acima de sua capacidade apenas para acrescentar mais um centroavante.

A postura combina com a manifestação de Alessandro Barcellos nesta sexta-feira. Mesmo diante da possibilidade de que Eliasson e Sanabria encerrem o pacote planejado de reforços, o presidente evitou declarar a janela definitivamente fechada:

“O Inter está sempre trabalhando e buscando oportunidades. Sabemos também das dificuldades que o futebol brasileiro hoje vive. A janela no Brasil está limitada na comparação com outros anos. Exatamente por essas dificuldades. Mas, enquanto a janela seguir aberta, estaremos trabalhando para que algum negócio possa acontecer.”

O Zona Mista mostrou a manifestação de Barcellos sobre os próximos passos do Inter no mercado. A declaração resume a mudança de postura: o clube continua trabalhando, mas deixou de atuar com a obrigação imediata de entregar mais uma contratação para o ataque.

A situação de Álex Arce precisa ser entendida exatamente nesse contexto. Ele não está descartado, mas também não ocupa mais o mesmo grau de prioridade de algumas semanas atrás. Com Sanabria contratado, o Inter pode esperar e avaliar se o mercado produzirá uma condição que faça sentido.

Para o Colorado, a reta final da janela passa a ser mais seletiva. Eliasson amplia as alternativas pelos lados, Sanabria devolve uma referência de área ao elenco e qualquer outro investimento dependerá de uma combinação entre necessidade esportiva e capacidade financeira.

A primeira resposta agora precisa vir no campo. O Inter buscou jogadores para um setor que cria, mas ainda transforma pouco essa produção em gols. Se Eliasson e Sanabria conseguirem melhorar essa relação, a direção terá encontrado uma resposta ofensiva sem recorrer às cifras que impediram outras negociações ao longo da janela.

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