
O Grêmio deixou Belo Horizonte derrotado pelo Cruzeiro por 2×0, mas o pós-jogo no Mineirão trouxe um recado ainda mais forte do que o placar. Na saída de campo, Carlos Vinícius assumiu a bronca, blindou Luís Castro e rejeitou a leitura de que o treinador seja o principal culpado pelo momento instável da equipe. A manifestação do centroavante ganhou peso porque veio logo depois de mais um tropeço fora de casa, num contexto em que a pressão sobre o trabalho da comissão técnica já vinha aumentando nos bastidores e também entre os torcedores.
Dentro de campo, o Grêmio até resistiu no primeiro tempo, quando Weverton evitou o gol em mais de uma oportunidade e Enamorado acertou a trave. A equipe, porém, caiu de rendimento depois do intervalo e viu o Cruzeiro construir a vitória com Christian, aos 5 minutos do segundo tempo, e Lucas Romero, aos 21. O 2×0 reforçou um problema que já incomodava: a dificuldade gremista para sustentar desempenho longe da Arena e transformar competitividade em resultado no Brasileirão.
Grêmio recebe recado forte de Carlos Vinícius após nova derrota
A fala de Carlos Vinícius ajuda a explicar o tamanho do desconforto interno. O atacante não apenas defendeu Luís Castro, mas também citou Mano Menezes para mostrar que, na visão dele, a troca de treinador não resolve sozinha aquilo que o time ainda não consegue corrigir em campo. O discurso, na prática, empurra parte importante da responsabilidade para o elenco e expõe que, no vestiário, existe a percepção de que o grupo precisa entregar mais. Essa linha de defesa do técnico surge poucos dias depois de Luís Castro admitir publicamente que o Grêmio “não está pronto”, em declaração dada após o Gre-Nal.
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Antes da citação, o contexto pesa ainda mais. O Grêmio vinha de vitória sobre o Deportivo Riestra na Sul-Americana, resultado que havia reduzido a temperatura da crise. Só que o revés diante do Cruzeiro recoloca dúvidas sobre a consistência da equipe, especialmente no campeonato nacional. O discurso de Carlos Vinícius, portanto, não soa como uma frase protocolar de pós-jogo. Ele aparece como tentativa clara de blindagem a Luís Castro num momento em que a pressão volta a crescer sobre o comando técnico.
Também há um ponto simbólico na fala. Carlos Vinícius já havia comparado, em janeiro, os métodos de Luís Castro e Mano Menezes, ao destacar que são preparações diferentes. Agora, ao trazer novamente o antigo treinador para a discussão, o camisa 9 deixa claro que vê um problema maior do que apenas a troca no banco. Para ele, o foco da cobrança precisa sair da figura do técnico e ir diretamente para quem entra em campo com a camisa do Grêmio.
“Apontar o Luís Castro na cruz seria uma falsidade da nossa parte. Temos que olhar para nós próprios, como jogadores. Eu sei que a gente vive essa cultura aqui no Brasil: quando os resultados vão mal, batem no treinador, metem o treinador na cruz. Mas não é bem por aí. Não é bem por aí porque, no ano passado, quando as coisas não ocorriam bem, era o Mano Menezes que era o culpado. Daí o Mano sai, vem o Luís Castro, e agora é o Luís Castro que é o culpado. Não. Temos que apontar para nós mesmos, fazer uma análise daquilo que somos e da camisa que representamos. E digo isso partindo de mim e de todos. É muito fácil eu vir aqui, apontar o trabalho do Luís Castro e dizer que ele é culpado de tudo. Não é por aí”, pontuou Carlos Vinícius para a TV Record, detentora da transmissão.
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“Desde que eu cheguei, já vamos em dois treinadores. E, se a gente ganha o jogo, o discurso era do lado de lá, de que o treinador do lado de lá tinha que sair. Não é bem por aí. Eu não vou abraçar essa cultura e não aceito. Temos que olhar para nós próprios. Temos que trabalhar como grupo, obviamente ouvindo a nossa liderança, partindo da nossa liderança. E, dentro do nosso plantel, temos que dar muito mais”, continuou Carlos Vinícius.
A declaração do atacante transforma a derrota em algo ainda maior para o ambiente gremista. O resultado em Belo Horizonte pesa na tabela e no desempenho recente, mas a entrevista revela que o vestiário sente a necessidade de reagir também no discurso. Ao blindar Luís Castro e dividir a cobrança com os companheiros, Carlos Vinícius tenta mudar o alvo da crise. Resta saber se esse posicionamento vai ficar apenas no microfone ou se o Grêmio conseguirá transformar a fala em resposta prática dentro de campo nas próximas rodadas.
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