Renato Portaluppi fez sua crítica mais direta ao processo de contratação do Grêmio desde que retornou ao clube. Depois do empate por 1×1 com o Inter, o treinador afirmou que é preciso cobrar quem trouxe jogadores que não correspondem ao perfil necessário para determinada função e voltou a defender que a responsabilidade pelo rendimento de uma equipe não pode ser colocada exclusivamente sobre quem está na casamata.
O tema surgiu enquanto Renato analisava Krovinović, que ganhou espaço na equipe e foi uma das novidades preparadas para o Gre-Nal. O treinador disse estar trabalhando para fazer o croata se aproximar mais da área e utilizou o caso para ampliar a discussão sobre os critérios que considera fundamentais antes da contratação de qualquer reforço.
Segundo Renato, a análise deve envolver produção, histórico físico, comportamento, função e até idioma antes da aprovação do atleta. Na sequência, foi explícito ao dizer que, quando o jogador contratado não possui as características que o time precisava, a cobrança deve chegar também a quem tomou a decisão de trazê-lo.
“Você vai contratar um jogador, não acontece só aqui no Grêmio não, acontece na maioria. Você vai contratar um jogador, independentemente da posição, você pega a ficha desse jogador. Quantos gols, quantos jogos, tem problema de lesão, como é que ele é com o grupo, qual é a língua dele. É simples, é simples. Você não pode, o que eu falei, buscar: traz aquele estrangeiro, bota ele aqui no grupo; traz aquele outro estrangeiro, bota ele aqui no grupo. Não é assim que você trabalha”, afirmou Renato.
O treinador seguiu usando Krovinović como exemplo daquilo que precisa corrigir em pouco tempo e então direcionou a cobrança a quem participa da montagem de um elenco.
“Eu converso bastante com ele, por exemplo. Eu tenho que chegar aqui com pouco tempo, falar para ele que ele tem que pisar na área. Ele é meia, certo? Eu vou tratar ele como meia. Então ele tem que pisar na área. Não sou eu que tenho que falar para ele: ‘Olha, você joga muito longe da área’. Aí entra a pergunta do teu colega quanto ao Vinícius ficar sozinho dentro da área. É simples o futebol. Agora, não dá para ensinar tudo em pouco tempo. Por isso que eu digo: vai contratar o jogador? Primeiro lugar, o que precisa no grupo? Qual a posição que precisa? Precisa um jogador assim, dependendo da posição, assim, assim, assado. Vai buscar o jogador certo. Vai buscar o jogador certo. Trouxeram. Não era esse jogador? Bom, então dá para cobrar de quem trouxe. É bem simples o futebol, não tem que inventar. Aí estoura onde? Quem está ali na beira do campo”, declarou.
Renato evita dizer que elenco foi “mal montado”, mas aumenta cobrança
A cobrança ficou ainda mais evidente quando Renato foi perguntado diretamente se considerava que o elenco havia sido mal montado pela direção. O treinador evitou confirmar essa avaliação e repetiu três vezes que não entraria no mérito. Mesmo assim, explicou como trabalha nos clubes e defendeu que nenhum jogador deveria chegar sem a aprovação de alguém com conhecimento técnico para avaliar se ele realmente ajudará a equipe.
“Não vou entrar nesse mérito. Não vou entrar nesse mérito. Não vou entrar nesse mérito. Esse grupo, eu confio que com esse grupo a gente vai sair dessa. A gente vai sair dessa. Final do ano, cada um tem o seu consenso, cada um sabe o que vai falar, o que vai fazer. Eu fui contratado para tirar esse grupo da zona, para não ser rebaixado”, iniciou.
Renato, então, colocou o próprio método de trabalho como contraponto ao processo que vinha criticando e reforçou que decisões equivocadas acabam produzindo consequências mais adiante.
“Por isso eu digo, eu estou falando comigo: quando eu trabalho no clube, você pode me oferecer dez jogadores, cinco jogadores, vinte jogadores, trinta jogadores, só vai entrar no clube se eu aprovar. Eu conheço futebol. Se eu aprovar, o jogador entra. Se eu não aprovar, eu estou abaixo de muita gente. ‘Mas eu vou trazer’. Pode trazer, mas não vai jogar comigo. A opção é de cima. Eu sempre vou trazer jogadores que eu sei que vão ajudar o clube. É por isso que eu digo: tem que ter o olho de alguém que entenda. Não precisa nem ser do técnico, mas o cara tem que entender. É simples, é bem simples o futebol”, disse.
Na parte mais forte da resposta, Renato associou as escolhas feitas anteriormente à situação atual do Grêmio, embora tenha preservado nominalmente os dirigentes e evitado declarar que o elenco foi mal montado.
“Porque eu costumo falar: a conta chega. Ela pode demorar um pouco, mas a conta chega. Em qualquer setor, em qualquer profissão, a conta vai chegar se tiver alguma coisa errada. O Grêmio é muito grande. Com esse clube eu me criei praticamente aqui dentro. Ele é muito grande para estar passando por uma situação dessa, brigando lá embaixo. O Grêmio tem que brigar, é obrigação de brigar sempre lá em cima”, acrescentou.
A manifestação aprofunda um discurso que Renato já vinha utilizando desde o retorno. Depois do empate com o Remo, ele havia afirmado que não conseguiria resolver em poucos dias problemas acumulados ao longo da temporada. Agora, porém, a análise passou a alcançar diretamente o processo de contratação e a responsabilidade de quem participa da escolha dos jogadores.










