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Polícia prende 10 torcedores do Inter suspeitos de tentativa de homicídio contra gremista

Caso de março deixou torcedor em coma e também gerou investigação sobre condutas de gremistas

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A Operação Lance Final terminou com 11 torcedores ligados ao Inter presos nesta quinta-feira, em uma ação da Polícia Civil com apoio da Brigada Militar. Dez foram detidos por mandados de prisão preventiva na investigação sobre a tentativa de homicídio contra um gremista, enquanto outro acabou preso em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de arma durante o cumprimento das buscas.

O caso investigado ocorreu em 8 de março, antes do Gre-Nal que decidiu o Campeonato Gaúcho, em Porto Alegre. A vítima foi cercada e espancada durante um confronto entre integrantes de torcidas organizadas e ficou 21 dias em coma após as agressões.

A investigação aponta que os presos pertencem a uma torcida organizada do Inter. Foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva, mas dez alvos haviam sido localizados durante a operação. Outro investigado estava fora do Rio Grande do Sul. Também foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Canoas, Alvorada, Viamão e Cachoeirinha.

Segundo a Polícia Civil, o episódio começou com a ida de integrantes de uma organizada do Grêmio até um local frequentado por colorados. O encontro resultou em confronto. Durante a dispersão, um gremista ficou para trás e acabou cercado e agredido por integrantes do grupo rival.

Esse ponto também é alvo da investigação. Um segundo inquérito foi aberto especificamente para apurar a conduta dos torcedores do Grêmio que participaram da movimentação inicial. Portanto, a operação desta quinta-feira trata dos suspeitos pelo ataque mais grave, mas a polícia também investiga eventuais crimes cometidos pelo outro grupo.

Torcedor ficou 21 dias em coma após agressões

A vítima foi atacada durante cerca de dois minutos, conforme as informações divulgadas pela investigação. O homem sofreu socos, chutes e golpes com pedaços de madeira, inclusive quando já estava caído.

As consequências foram graves. O torcedor permaneceu 21 dias em coma, passou por três cirurgias, sofreu fratura exposta na perna esquerda e traumatismo craniano. Meses depois do episódio, ainda apresenta dificuldades para caminhar e falar e segue realizando tratamento.

A Polícia Civil investiga 11 torcedores colorados por tentativa de homicídio triplamente qualificada. Também estão sob apuração associação criminosa, roubo e possíveis infrações previstas na Lei Geral do Esporte. Outros integrantes identificados no confronto são investigados por crimes diferentes, sem a imputação de tentativa de homicídio neste estágio.

Durante as buscas desta quinta-feira, agentes recolheram materiais que podem auxiliar na investigação, incluindo roupas e uniformes relacionados ao episódio. O procedimento agora continuará com análise dos elementos apreendidos e das responsabilidades individuais.

A existência das prisões preventivas não representa condenação. Os investigados seguem submetidos ao processo de apuração, e a responsabilidade criminal de cada pessoa ainda dependerá das etapas posteriores do caso.

O episódio aconteceu no mesmo dia em que Grêmio e Inter disputaram a segunda partida da final do Campeonato Gaúcho. Naquela ocasião, o Zona Mista também registrou uma intervenção da Brigada Militar após um ônibus com gremistas ser alvo de pedradas. Trata-se de outro episódio, sem confundi-lo com a investigação que motivou as prisões desta quinta-feira.

Operação ocorre às vésperas de novos Gre-Nais decisivos

A investigação volta ao noticiário em um momento no qual Grêmio e Inter se preparam para novos clássicos de grande mobilização de público. Os rivais se enfrentarão duas vezes pelas quartas de final da Copa do Brasil.

O primeiro jogo será em 27 de agosto, às 20h, no Beira-Rio. A volta está marcada para 3 de setembro, também às 20h, na Arena. O Zona Mista já detalhou datas, horários e cenário dos Gre-Nais que definirão uma vaga na semifinal.

Não existe relação causal entre a operação policial desta quinta-feira e a preparação para esses jogos. O caso investigado aconteceu cinco meses antes e segue seu próprio andamento. A proximidade dos novos clássicos, porém, torna o tema da segurança entre torcidas novamente relevante.

O assunto já havia aparecido no debate esportivo depois do sorteio da Copa do Brasil. O jornalista PVC, por exemplo, fez um alerta para que os próximos Gre-Nais não sejam marcados por episódios de violência, lembrando confrontos anteriores que terminaram em confusão.

Agora, a operação acrescenta um dado concreto e muito mais grave a esse contexto. Dez suspeitos foram presos por um ataque ocorrido antes de um Gre-Nal, enquanto as autoridades ainda investigam a participação de integrantes dos dois lados no conflito que antecedeu a agressão.

Com três novos Gre-Nais ainda previstos na temporada — dois pela Copa do Brasil e outro pelo segundo turno do Brasileirão —, o avanço da investigação reforça a necessidade de que rivalidade esportiva e violência sejam tratadas como coisas completamente diferentes fora de campo.

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