Luís Castro incluiu a aplicação da nova regra para substituições entre as reclamações após a derrota do Grêmio por 1×0 para o Bragantino. O treinador cobrou “tolerância e bom senso” da arbitragem e citou especificamente o caso de Erick Noriega, que sentiu cãibras nos minutos finais e precisou deixar o campo para a entrada de Danilo Barbosa.
O episódio ganhou importância por causa de um protocolo adotado recentemente pela CBF. A partir da sinalização da substituição, o jogador que deixará a partida tem até 10 segundos para sair pelo ponto mais próximo. Se ultrapassar esse tempo, o substituto precisa aguardar um minuto antes de receber autorização para entrar, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.
Noriega estava com dificuldades físicas quando a troca foi organizada nos acréscimos do segundo tempo. Danilo Barbosa entrou aos 46 minutos e fez sua estreia oficial pelo Grêmio. Castro reconheceu que o protocolo estava em vigor, mas questionou a maneira como ele foi aplicado naquele momento.
“O bom senso não existiu na substituição do Noriega. Ok, há regra. Já sei que há regra. Mas há o bom senso na regra”, afirmou Luís Castro.
Nova regra virou motivo de reclamação de Luís Castro
A CBF aprovou a adoção imediata do novo pacote de medidas de arbitragem em agosto. No caso das substituições, a contagem começa a partir do momento em que o quarto árbitro sinaliza a alteração. Nos segundos finais, o árbitro pode fazer uma contagem regressiva visual para indicar ao jogador que o limite está próximo.
A medida busca reduzir a perda deliberada de tempo nas substituições. A reclamação de Castro, porém, foi direcionada à situação específica vivida por Noriega, que apresentava cãibras e precisava deixar o gramado já na reta final da partida.
“Sentimos sempre falta de bom senso. As novas regras exigem bom senso. Toda regra exige bom senso”, acrescentou o treinador.
O caso de Noriega fez parte de uma reclamação mais ampla contra a condução de Felipe Fernandes de Lima. Pedro Mané e Vitor Severino, integrantes da comissão técnica gremista, receberam cartões vermelhos durante o confronto. Castro afirmou que os auxiliares protestaram contra decisões da arbitragem, mas não partiram para ofensas.
“Faltou tolerância e bom senso. Chegaram ao ponto de expulsar os dois assistentes com vermelho direto, sem bom senso algum”, afirmou Luís Castro.
A súmula da partida detalhou posteriormente as duas expulsões da comissão técnica. No documento, o árbitro registrou os protestos de Pedro Mané e também as palavras atribuídas a Vitor Severino durante a discussão com o quarto árbitro.
Reclamação do Grêmio também passou por gol de Braithwaite
A bronca de Castro não ficou restrita ao banco de reservas e ao episódio envolvendo Noriega. O treinador também contestou a jogada em que Martin Braithwaite colocou a bola na rede no segundo tempo, mas Felipe Fernandes de Lima já havia interrompido a sequência por uma irregularidade.
PC de Oliveira considerou equivocada a marcação que impediu a continuidade do lance de Braithwaite. O ex-árbitro não identificou uma infração que justificasse a paralisação antes da finalização.
Paulo Pelaipe também aumentou o tom após a partida. O executivo anunciou que o Grêmio enviará um ofício à CBF para pedir explicações sobre a atuação da arbitragem e defendeu punições para profissionais que apresentem desempenhos considerados ruins.
Noriega, além das cãibras apresentadas no fim, recebeu o terceiro cartão amarelo durante o primeiro tempo. Com isso, está suspenso para o jogo contra a Chapecoense, no próximo domingo, pelo Campeonato Brasileiro.
A suspensão não interfere no Gre-Nal de quinta-feira pela Copa do Brasil. O volante pode ser utilizado contra o Inter, no Beira-Rio. A situação física do peruano passa a ser observada durante os dias que antecedem o clássico, sem diagnóstico de lesão divulgado pelo clube após a partida.
Noriega ainda esteve perto de marcar contra o Bragantino. Aos 27 minutos do segundo tempo, apareceu dentro da área e cabeceou após cruzamento de Jovane Cabral, exigindo defesa de Tiago Volpi.
Depois da saída do volante, o Grêmio sofreu o gol decisivo. Gustavo Marques marcou de cabeça nos acréscimos e confirmou a derrota gremista no último trecho da partida.
Entre os dois cartões vermelhos no banco, o lance de Braithwaite e a aplicação da nova regra na substituição de Noriega, Castro concentrou sua crítica na maneira como os protocolos foram administrados. O português não contestou a existência do limite de 10 segundos, mas defendeu que situações físicas como a do volante sejam conduzidas com maior bom senso.









