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Leandro Machado admite que famoso pênalti perdido ainda incomoda e recorda vitória contra time “espetacular” do Inter: “Emoção”

Ex-atacante colorado Leandro Machado conversou com a reportagem do site Zona Mista

Revelado para o mundo do futebol pelo Inter, tendo inclusive morado nos alojamentos próximos à arquibancada do Beira-Rio, o ex-atacante Leandro Machado, hoje atuando na área empresarial do futebol, olha para trás e mantém carinho e gratidão por tudo o que colorado lhe proporcionou. Em entrevista exclusiva à reportagem do Zona Mista, o antigo artilheiro relembrou histórias marcantes como o pênalti perdido contra o Bragantino – que atrapalhou os planos do Inter de se classificar ao mata-mata do Brasileirão de 1996 – e também o gol feito pelo Sport contra o próprio Inter na Copa do Brasil de 2008.

Zona Mista: Para iniciarmos o nosso bate-papo, gostaria de te perguntar as suas melhores lembranças com a camisa do Inter e dos tempos do Beira-Rio. Foi o clube que mais marcou a tua carreira?

Leandro Machado: Beira-Rio foi minha casa por muitos anos. Lembrar desse tempo me traz lembranças boas, da convivência, das dificuldades, enfim. Morei embaixo da arquibancada por muito tempo, me profissionalizei no Inter depois. Foi um clube que me marcou demais. E o que mais me marcou foram as estreias que eu tive, uma delas no torneio de 25 anos do Beira-Rio que eu já estreei ganhando título e depois a estreia no profissional, que ganhamos de 1×0, com gol meu e depois a segunda partida no Maracanã, contra o Flamengo, fiz dois gols e ganhamos de 2×1. Tenho muita lembrança boa, me marcou demais. Eu cresci ali dentro, era minha casa. A torcida, o estádio lotado, a possibilidade de ser profissional, a oportunidade depois de jogar na Seleção que o Inter me deu… tudo isso me marcou e tudo isso foi muito rápido pra mim.

ZM: A década de 90 acabou sendo complicada para o lado colorado pela falta de grandes títulos e ao mesmo tempo o rival Grêmio empilhando taças. Você sentia uma pressão a mais naqueles anos? Como era jogar no Inter na década de 90?

L: Realmente, a década de 90, naqueles dois anos e meio entre a minha subida pro profissional até sair do clube, em termos coletivos, apesar de termos tido alguns elencos muito bons, a gente ganhou pouco. Ganhamos uma estadual e uma Mercosul. No coletivo não saiu como o desejado, ainda mais com o rival ganhando títulos. Pressionava mais. No lado individual, não poderia ter sido melhor pra mim. Em pouco tempo fui convocado para a Seleção principal e no ano seguinte eu ganhei títulos no Torneio de Toulon, campeão olímpico, vinha indo bastante para a Seleção principal, fui o artilheiro do Sul e ganhei um carro de uma premiação de uma TV, disputando com o Jardel, era uma promoção da época. Não consegui em termos coletivos, mas em termos individuais as coisas saíram bem. Infelizmente, faltaram títulos de expressão.

ZM: Até hoje você é lembrado pelo pênalti perdido contra o Bragantino na última rodada do Brasileirão de 1996, no qual o Inter ficou fora da segunda fase. Te incomoda essa lembrança? O que você lembra daquele jogo?

L: Me incomoda um pouco essa lembrança do pênalti contra o Bragantino porque eu já estava vendido pro Valencia e tinha uma pressão grande para eu me apresentar lá. Pedi para eu ficar um tempo e teve um acordo com o Inter para permanecer seis meses. Com certeza, afirmo para o torcedor, que quem mais sentiu dor ao perder aquele pênalti foi eu. Eu queria ter saído do Inter com um título de expressão. Tínhamos um bom time. Marcou ainda mais que o pênalti perdido ajudou na classificação do Grêmio. Só que fico com as lembranças positivas. Como falei, as coisas coletivas não foram tão bem, mas tenho muito orgulho pelo que fiz pelo Internacional e me emociono demais ter jogado com aquela camisa. Sou muito grato ao Inter pelas oportunidades que eu tive.

ZM: Depois disso, tem a ida ao Flamengo e a parceria com o Romário. Ele foi o melhor que você jogou junto? Lembra de alguma história marcante dele?

L: Jogar com o Romário sem dúvida foi uma situação muito especial na minha carreira. Joguei com outros grandes jogadores também como o Ariel Ortega, o López, peguei convocações com o Ronaldo também, mas de jogar junto por bastante tempo sem dúvida foi o Romário. O cara que mais fez gol no mundo em jogos oficiais. Além disso, foi ele que pediu a minha contratação na época pelo Flamengo quando eu estava emprestado pelo Sporting, de Portugal. Ele ajudou demais sem que eu pedisse nada pra ele. Não apenas é um cara que eu respeito como jogador, mas fora também. Politicamente, a família da minha esposa tem relações com ele, já nos ajudou, já incentivou uma pessoa que é o meu cunhado que foi candidato a prefeito na cidade. Eu respeito demais ele. Tenho certeza que ele gosta de mim também. Não somos grandes amigos, mas o respeito de ambas as partes existe até hoje.

ZM: Em 2001, você volta ao Inter naquele time que depois acabou sendo treinado por Parreira e chega a fazer dupla de ataque com o Luiz Cláudio. Já era um outro Inter em relação ao seu início de carreira?

L: Em 2001 eu tive um convite do presidente do Inter da época para voltar, mas eu havia sofrido uma lesão grave e estava voltando ao elenco do Flamengo. Só que o elenco do Flamengo estava recheado de craques como Adriano, Edilson Capetinha, Denilson e outros grandes atacantes. E o Inter precisava de um centroavante. Fizeram uma enquete com a torcida para eu voltar e o meu nome apareceu. Eu comecei bem, fazendo gols, acho que cinco jogos e três gols, mas infelizmente voltei a sentir a mesma lesão e não deu tempo de entrosar uma parceria com o Luiz Cláudio, que na época estava muito bem no clube. Voltei ao Flamengo sem poder contribuir no sentido de ajudar com algum título de novo pelo Inter nessa segunda passagem.

ZM: Anos depois, em 2008, você acaba fazendo um gol no Inter com 5 min de jogo naquela partida de Copa do Brasil pelo Sport na Ilha do Retiro – depois, pelo Brasileirão, você fez um gol no Beira-Rio e nem comemorou. Era diferente para você? Como foi o clima específico daquela partida na Ilha pela Copa do Brasil?

L: Nesse ano, com o Sport, tive oportunidade de jogar duas vezes contra o Inter. No Brasileirão eu empatei e não comemorei por respeito à instituição, por tudo que o Inter me proporcionou, de ter jogado na Europa, de ter ido para a Seleção, por ter me formado, cheguei como menino e saí adulto do Beira-Rio. Na Ilha, foi uma emoção grande até porque o Inter em 2008 tinha um timaço, espetacular e foi o jogo da virada de chave pra nós. Começamos a ter confiança e pensamos em título, porque o Inter era uma equipaça. Virou a chave ali. Fiz o gol cedo e foi um jogo muito difícil. Precisávamos vencer por dois gols e o Inter empatou. Mas conseguimos com um jogador a menos e o Durval acertou um chutaço de falta. Um jogo emocionante por se tratar de um clube que eu tenho muito carinho e amor. E também por ter despertado no Sport a chance de ganhar um título inédito como a Copa do Brasil.

ZM: Para fechar, como é a sua atividade atual como empresário ligado ao futebol? E ainda assiste e acompanha o Inter?

L: Depois que eu parei de jogar, eu trabalhei na empresa que representou na carreira através do meu empresário, que me representou na carreira toda, o Jorge Machado. Morei um tempo em Porto Alegre e acompanhei bastante o Inter, indo no Beira-Rio. Sigo nessa transição ainda no meio do futebol, aprendendo nessa parte empresarial ainda, não ligado a vendas. Mas tenho investimento em alguns jogadores. Quero entender melhor esse mercado e crescer cada vez mais.

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