
As classificações de Grêmio e Inter ajudaram a produzir um cenário inédito nas quartas de final da Copa do Brasil. Pela primeira vez na história da competição, treinadores estrangeiros serão maioria entre os comandantes dos oito clubes que permanecem na disputa pelo título. A pesquisa de informação é do Portal Ge.
Seis equipes classificadas possuem técnicos nascidos fora do Brasil. A lista inclui Luís Castro, português que dirige o Grêmio, e Paulo Pezzolano, uruguaio responsável pelo Inter. Apenas dois dos oito participantes das quartas são comandados por brasileiros.
Além da dupla Gre-Nal, aparecem os portugueses Abel Ferreira, do Palmeiras, Artur Jorge, do Cruzeiro, e Pedro Emanuel, do Vasco. O argentino Eduardo Domínguez, treinador do Atlético-MG, completa a relação de estrangeiros.
Os dois representantes brasileiros são Cuca, do Santos, e Jair Ventura, do Vitória. Assim, os treinadores de fora do país ocupam seis das oito vagas disponíveis, uma proporção de 75% entre os clubes classificados.
O levantamento também representa um recorde numérico. A maior quantidade anterior havia sido registrada em 2024, quando quatro estrangeiros comandaram equipes nas quartas. Naquela temporada, eles representavam exatamente a metade dos participantes, mas ainda não superavam os brasileiros.
Em 2025, o número caiu para três. Agora, passou diretamente para seis, confirmando uma mudança que vem ganhando força no mercado nacional durante as últimas temporadas.
Grêmio e Inter representam mudança na dupla Gre-Nal
A presença simultânea de Luís Castro e Pezzolano chama atenção porque contrasta com as últimas campanhas nas quais Grêmio e Inter chegaram juntos a essa fase.
Em 2019, o Grêmio era dirigido por Renato Portaluppi, enquanto Odair Hellmann comandava o Inter. No ano seguinte, Renato permaneceu no Tricolor e Abel Braga assumiu o Colorado durante a campanha da competição. Os quatro profissionais eram brasileiros.
O cenário de 2026 é diferente. O Grêmio iniciou a temporada com Luís Castro, contratado depois de trabalhos em Portugal, Ucrânia, Catar, Brasil, Arábia Saudita e Emirados Árabes. O português assinou vínculo até o final de 2027 e tornou-se apenas o segundo europeu a dirigir o clube.
O Inter escolheu Pezzolano depois de o uruguaio acumular experiências no próprio país, México, Brasil, Espanha e Inglaterra. Seu contrato com o Colorado segue até dezembro de 2026.
As trajetórias dos dois clubes até as quartas também foram diferentes. O Grêmio eliminou o Mirassol depois de vencer por 1×0 na Arena. O primeiro encontro havia terminado empatado por 1×1 no interior paulista.
O Inter construiu a vantagem no Beira-Rio, com uma vitória por 2×0 sobre o Corinthians. Mesmo derrotado por 2×1 no segundo jogo, o Colorado avançou pelo placar agregado de 3×2.
A presença estrangeira não garante vantagem esportiva nas próximas etapas, mas revela uma transformação importante nas escolhas dos clubes brasileiros. Equipes de diferentes regiões, orçamentos e objetivos passaram a buscar treinadores em outros mercados com maior frequência.
Abel Ferreira já possui uma trajetória longa no Palmeiras. Artur Jorge, Pedro Emanuel e Luís Castro ampliam a presença portuguesa. Pezzolano e Domínguez representam escolas tradicionais do futebol uruguaio e argentino.
O crescimento ocorreu de forma gradual. A última edição das quartas sem nenhum estrangeiro foi disputada em 2018. Desde então, pelo menos um treinador de outro país apareceu entre os oito melhores da Copa do Brasil em todas as temporadas.
Grêmio e Inter agora fazem parte do ponto mais alto desse movimento. Independentemente dos adversários definidos para a próxima fase, a dupla Gre-Nal já estará representada em uma marca que nunca havia ocorrido na história das quartas de final da competição.











