O Grêmio deu um passo decisivo para resolver a troca de terrenos entre a Arena e o Estádio Olímpico, uma pendência que atravessou diferentes administrações e permaneceu sem solução por aproximadamente 14 anos. Conforme informação divulgada neste sábado (31) pelo jornalista Eduardo Gabardo, da GZH, a direção gremista assinou nesta semana um documento vinculante com as empresas OAS 26 e Karagounis, encaminhando a conclusão da negociação patrimonial.
O acordo foi conduzido diretamente pelo presidente Odorico Roman, com participação dos vice-presidentes Antonio Dutra Júnior e Eduardo Schumacher. As tratativas foram finalizadas em outubro e resultaram na assinatura do documento que estabelece as condições necessárias para concretizar a troca de chaves. A negociação ainda precisa ser homologada pelo Conselho Deliberativo do Grêmio antes de ser considerada definitivamente concluída.
O avanço representa uma etapa importante do processo iniciado com a construção da Arena, inaugurada em dezembro de 2012. Desde então, o Grêmio enfrentou dificuldades para solucionar a transferência definitiva dos terrenos envolvidos no negócio, que também contempla a antiga área do Olímpico, no bairro Azenha, em Porto Alegre.
Conselho Deliberativo do Grêmio terá decisão sobre o acordo
Segundo a reportagem da GZH, as comissões de Patrimônio, de Assuntos Legais e Estatutários e da Arena já receberam o documento firmado entre o Grêmio e as empresas proprietárias do terreno. O próximo passo será a apreciação pelos conselheiros, em reunião que deverá ser convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Philippe Jardim.
O estágio atual é diferente das tentativas anteriores porque existe agora um documento vinculante assinado pelas partes envolvidas. Isso não significa, entretanto, que todos os procedimentos de formalização e transferência patrimonial já tenham sido encerrados. A homologação permanece como uma etapa necessária para consolidar a operação.
O assunto atravessou as gestões dos presidentes Fábio Koff, Romildo Bolzan Júnior e Alberto Guerra, sem que fosse alcançada uma solução definitiva. A administração de Odorico Roman conseguiu avançar nas negociações com as duas empresas, tratando de uma das pendências mais antigas relacionadas ao patrimônio gremista.
Compra da gestão da Arena em 2025 não havia resolvido a questão dos terrenos
A negociação atual também complementa o movimento realizado em 2025 pelo empresário Marcelo Marques, que adquiriu a gestão da Arena e a transferiu ao clube. Na época, o empresário já defendia a necessidade de resolver a situação patrimonial do estádio, apontando a administração da Arena como uma questão importante para o futuro do Grêmio.
A aquisição da gestão garantiu ao clube condições de exploração do estádio até 2033, mas a transferência dos terrenos ainda precisava ser solucionada. Sem um acordo, existiria o risco de o Grêmio chegar ao encerramento desse período com a Arena instalada em uma área formalmente pertencente a terceiros.
A discussão já aparecia em reportagens anteriores sobre os riscos jurídicos que envolviam o estádio. A diferença é que o novo documento representa um avanço concreto na negociação específica entre os terrenos da Arena e do Olímpico, questão que não havia sido resolvida apenas com a compra da gestão.
Enquanto Renato Portaluppi prepara o elenco para a semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, a administração gremista trabalha na conclusão de um negócio com efeitos patrimoniais de longo prazo. A próxima movimentação dependerá da convocação do Conselho Deliberativo e da deliberação sobre o documento assinado.









