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Falso Luís Castro engana Enamorado do Grêmio e mira D’Alessandro, ídolo do Inter

Suspeito conhecia a rotina do futebol e usava conversas elaboradas antes de partir para pedidos envolvendo dinheiro

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A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira (2), em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, um homem investigado por se passar pelo técnico Luís Castro para tentar obter dinheiro de jogadores do Grêmio. O caso teve como vítima o atacante colombiano José Enamorado, que transferiu R$ 22,5 mil acreditando conversar com o verdadeiro treinador e colaborar com um suposto projeto social.

A informação foi publicada inicialmente pela GZH, que identificou o investigado como Lucas de Oliveira Eduardo. A Operação Falso 9 reuniu policiais civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro e cumpriu uma prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão. O caso é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.

Em apuração posterior, o Zona Mista cruzou novas informações divulgadas após a reportagem inicial e encontrou uma dimensão maior das abordagens. Quatro jogadores do elenco profissional do Grêmio receberam contatos pelo WhatsApp, enquanto outros personagens do futebol também aparecem entre os possíveis alvos. Um deles é Andrés D’Alessandro, ídolo do Inter.

Golpista conversou por dias com Enamorado antes de pedir dinheiro

A abordagem contra Enamorado começou ainda em abril. O falso treinador manteve contato durante vários dias e procurou reproduzir uma relação habitual entre comandante e atleta. Perguntava sobre rotina, família e rendimento nos treinamentos, além de elogiar a dedicação do colombiano.

Em determinado momento, o interlocutor ainda pediu que Enamorado não comentasse com os companheiros que os dois estavam conversando diretamente. Somente depois dessa aproximação surgiu o pedido financeiro.

O homem afirmou que ajudava um grupo social do Rio de Janeiro por meio de doações de cestas básicas e disse que outros jogadores com quem teria trabalhado também participavam da iniciativa.

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O pedido foi detalhado: seriam 300 cestas básicas por R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil. Uma chave Pix foi enviada ao atacante com a alegação de que pertencia à responsável pela suposta instituição.

A primeira tentativa de transferência, em 6 de maio, não foi concluída porque o valor ultrapassava o limite diário da conta de Enamorado. O pagamento ficou para a manhã seguinte. Em 7 de maio, o jogador conseguiu transferir os R$ 22,5 mil.

Depois do pagamento, o falso Luís Castro ainda enviou uma suposta confirmação de que as cestas haviam sido recebidas pela instituição. Segundo a GZH, o dinheiro transferido pelo atacante ainda não havia sido recuperado até a divulgação da operação.

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Nova tentativa poderia elevar prejuízo de Enamorado

A abordagem não terminou com o primeiro Pix. Naquele mesmo dia, o investigado afirmou a Enamorado que outro jogador, que estaria fora do Brasil, também queria colaborar com a campanha, mas não poderia fazer a movimentação imediatamente por causa do fuso horário.

Desta vez, seriam 600 cestas básicas, em um pedido que chegava a R$ 50 mil. O falso treinador queria que Enamorado antecipasse o dinheiro, prometendo que o outro atleta faria o ressarcimento posteriormente.

A segunda transferência não aconteceu. Novamente, o limite bancário impediu a movimentação. Caso o novo pedido tivesse sido atendido, o prejuízo do jogador gremista poderia ter alcançado R$ 72,5 mil.

Kannemann recebe falsa ordem envolvendo treino do Grêmio

Outros atletas desconfiaram das mensagens antes de realizar qualquer pagamento.

Um dos episódios envolveu Walter Kannemann. Fingindo ser Luís Castro, o homem orientou o zagueiro a chegar mais cedo ao CT Luiz Carvalho para conversar e treinar.

Kannemann estranhou a determinação e procurou confirmar a informação. Foi então que descobriu que a ordem não havia partido do verdadeiro treinador.

A própria rotina do elenco fazia parte da estratégia utilizada nas abordagens. O suspeito demonstrava conhecimento sobre treinamentos, relações internas e a linguagem comum entre jogadores e integrantes de comissões técnicas.

A Polícia Civil relaciona essa familiaridade ao passado do investigado no futebol. Conforme informações da investigação, ele teve passagem pelas categorias de base e conhecia termos e comportamentos utilizados no ambiente profissional.

D’Alessandro também aparece entre os alvos

O caso ainda atravessou a rivalidade Gre-Nal. Andrés D’Alessandro, ídolo e ex-dirigente do Inter, também recebeu uma abordagem atribuída ao mesmo investigado. Desta vez, porém, o homem não se apresentou como Luís Castro.

O contato foi feito simulando a identidade de uma pessoa conhecida de D’Alessandro. A conversa avançou até envolver dinheiro, mas o argentino desconfiou da abordagem e não realizou pagamento.

As informações encontradas posteriormente pelo Zona Mista mostram que as tentativas não ficaram restritas ao atual elenco gremista. A investigação encontrou contatos ligados a jogadores de outros Estados e pessoas relacionadas até a uma equipe do futebol europeu. Um artista brasileiro de projeção nacional também teria aparecido entre os possíveis alvos.

Justiça autorizou quebra de sigilos

A investigação avançou também sobre a movimentação financeira. Após representação policial, a Justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e telemático dos investigados. A medida permitiu reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro.

As informações obtidas durante a investigação indicaram que valores relacionados aos golpes passavam inicialmente por contas bancárias de moradores da região de Itaperuna antes de chegar à esfera do investigado.

No Rio de Janeiro, também existem apurações sobre contatos semelhantes envolvendo outros personagens conhecidos do futebol. A GZH informou a existência de registros de solicitações de dinheiro relacionadas a Dorival Júnior, na época em que comandava a Seleção Brasileira, além de dirigentes da CBF.

Outra informação localizada em apuração posterior do Zona Mista é que o suspeito já havia sido preso em flagrante em 2024 por crime semelhante.

A Polícia Civil continua tentando estabelecer o alcance total das abordagens, identificar eventuais novas vítimas e reconstruir as movimentações financeiras. Entre os quatro jogadores do Grêmio procurados no episódio investigado no Rio Grande do Sul, Enamorado foi o único que efetivamente realizou uma transferência.

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