Vinte anos depois da primeira Conmebol Libertadores do Inter, Abel Braga revelou um bastidor envolvendo uma das decisões mais importantes daquela campanha. Antes da partida que confirmou o título sobre o São Paulo, no Beira-Rio, o treinador decidiu abandonar a formação defensiva habitual e montar a equipe com três zagueiros.
A mudança surpreendeu jogadores do próprio Inter. Abel contou que foi questionado sobre a decisão antes da finalíssima, mas sustentou a alteração por entender que precisava preparar a equipe para uma postura diferente do São Paulo.
A revelação foi publicada pelo ge neste domingo, 16 de agosto, exatamente no aniversário de 20 anos da conquista. O relato ganha importância porque ajuda a explicar uma escolha tática que terminou funcionando na noite em que o Inter conquistou pela primeira vez a América.
Fabinho havia sido expulso na vitória colorada por 2×1 no Morumbi e estava suspenso. Sem o volante, Abel promoveu a entrada de Índio e formou o sistema defensivo com três zagueiros. A preocupação principal era Aloísio Chulapa, referência física do ataque são-paulino.
“Sabíamos que jogaria o Chulapa e botei os três zagueiros”, relembrou Abel.
Abel carregava trauma da Conmebol Libertadores de 1989
A cautela do treinador não estava relacionada apenas ao adversário. Abel também admitiu que carregava consigo a lembrança de uma das eliminações mais dolorosas da história colorada.
Em 1989, ele comandava o Inter na semifinal da Conmebol Libertadores contra o Olimpia. O Colorado venceu por 1×0 em Assunção e retornou a Porto Alegre podendo empatar para chegar à decisão.
No Beira-Rio, porém, perdeu por 3×2 no tempo normal e acabou eliminado nos pênaltis. Dezessete anos depois, Abel novamente entraria no estádio com uma vantagem conquistada fora de casa e uma vaga histórica dependendo do resultado em Porto Alegre.
O treinador reconheceu que aquela lembrança ainda estava presente. Por isso, a escolha dos três zagueiros para enfrentar o São Paulo também carregava parte da experiência vivida em 1989.
A mudança não era habitual naquele Inter. No primeiro confronto da decisão de 2006, a equipe havia utilizado dois zagueiros e produzido uma de suas grandes atuações sob o comando de Abel, vencendo o São Paulo por 2×1 no Morumbi, com dois gols de Rafael Sobis.
Na volta, a necessidade era diferente. O São Paulo precisava buscar o resultado, enquanto o Inter tinha a vantagem do empate. Abel esperava mudanças do adversário e decidiu também apresentar uma formação que Muricy Ramalho não havia enfrentado no primeiro jogo.
A estratégia deu resultado. Fernandão e Tinga marcaram para o Colorado, enquanto o São Paulo conseguiu buscar duas vezes o empate. O 2×2 foi suficiente para garantir a primeira Conmebol Libertadores da história do Inter.
O próprio clube relembra neste domingo a campanha que terminou em 16 de agosto de 2006 e abriu uma nova fase internacional. Meses depois, a equipe comandada por Abel conquistaria também o Mundial de Clubes diante do Barcelona.
Tinga revela tensão após ser expulso na final
A reportagem especial publicada neste domingo também trouxe um novo relato de Tinga sobre um dos momentos mais dramáticos daquela partida.
O volante marcou o segundo gol do Inter aos 22 minutos do segundo tempo, levantou a camisa durante a comemoração e recebeu o segundo cartão amarelo. Expulso, precisou deixar o gramado enquanto o título ainda estava em disputa.
O Zona Mista já mostrou por que Tinga decidiu levantar a camisa naquela comemoração. Agora, o ex-jogador acrescentou detalhes sobre o que viveu depois de entrar no vestiário.
Sem televisão disponível, Tinga ficou sozinho e decidiu não acompanhar a partida pelo rádio. Restava tentar interpretar o que acontecia dentro do campo pelo barulho vindo das arquibancadas do Beira-Rio.
A situação provocava ainda mais angústia porque Tinga já estava negociado com o Borussia Dortmund e sabia que aquela seria sua despedida do Inter. Se o São Paulo conseguisse virar a decisão depois de sua expulsão, o volante temia carregar a responsabilidade pelo resultado.
O alívio chegou apenas quando recebeu a confirmação de que a partida havia terminado. O empate garantiu o título e transformou a expulsão em apenas mais um capítulo de uma das noites mais importantes da história colorada.
Neste domingo, o Inter celebra oficialmente os 20 anos daquela conquista. O Zona Mista já mostrou a programação preparada pelo clube para o aniversário da Conmebol Libertadores, com atividades envolvendo personagens do título.
O clube também prepara outras homenagens a Abel Braga. O Zona Mista publicou que o Inter definiu uma nova data para inaugurar a estátua do treinador no Beira-Rio.
Duas décadas depois, o relato de Abel acrescenta um novo olhar sobre a decisão. Antes de Fernandão levantar a taça, o treinador precisou convencer o próprio grupo de que mudar uma equipe que havia acabado de vencer no Morumbi era o caminho para impedir que a vantagem escapasse novamente no Beira-Rio.









