
Em evidência no futebol brasileiro pela grande campanha com o América-MG, semifinalista da Copa do Brasil diante do Palmeiras e atualmente 2° colocado da Série B, o técnico Lisca voltou a falar do Inter nesta quinta-feira em entrevista aos jornalistas gaúchos Ramiro Ruschel e Thiago Suman.
Criado no Beira-Rio e treinador com passagens por todas as divisões de base do clube, Lisca segue entendendo que a sua ida em 2016, faltando três jogos para o mais do que provável rebaixamento, prejudicou a avaliação interna no clube. Mas ele nega qualquer tipo de arrependimento pela decisão tomada na época:
“A verdade é que aqueles três jogos me prejudicaram muito internamente. Querendo ou não, acabei sendo o treinador a levar a marca do rebaixamento. Mas não me arrependo e faria de novo. Tenho uma família com passado ligado ao Inter e eu não dormiria se dissesse “não”. O presidente Fernando Carvalho é um grande amigo, me fez o convite e eu aceitei. Sabia que seria quase impossível e os seis, sete meses seguintes foram bem difíceis. Atrapalhou minha continuidade no clube”, declarou o treinador.
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Lisca ressaltou que tem ótima relação pessoal com todos os membros da atual direção do Inter, embora a ausência de convites desde 2017. Como o clube passa por novas eleições, o técnico se vê “preparado” em caso de novo convite:
“Acredito que fui para o fim da fila, embora eu me relacione muito bem com essa gestão. O Marcelo (Medeiros) é meu amigo de surfe. Surfávamos muito e ele era um monstro, mandava muito bem no surfe. O Alexandre Chaves Barcellos é meu primo de segundo grau e o Rodrigo Caetano foi meu colega. O relacionamento é bom, mas acabou que eu não tive essa chance. Nem no ano passado, quando buscaram o Zé Ricardo, nem agora, quando veio o Abel. Quem sabe com uma troca de gestão, de pensamento de futebol, possa haver esse pensamento no meu nome. A gente está preparado”, prometeu.
Lisca defende Abel e critica Coudet
Em outras palavras e com explicação mais completa, Lisca disse durante esta entrevista que, no recente embate de quartas de final da Copa do Brasil, venceu o time de Eduardo Coudet e perdeu para a equipe de Abel Braga.
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O comandante do América-MG apontou diferenças de postura do Inter no primeiro jogo para o segundo, quando a vitória dos mineiros ocorreu nas penalidades máximas:
“Caiu muito para o Abel essa culpa da queda. Abel, Abel, Abel… mas já vinha caindo com o Coudet antes dele sair. E, no futebol, o treinador bom é o que deixa o legado e o time pronto para seguir jogando bem mesmo sem ele. Eu acho que o Coudet viu que não conseguiria tirar mais nada e saiu. Treinador bom sai e deixa o time organizado. Não fica terra arrasada como ficou. Isso não é consistente. Por que esse desespero todo? O Inter era líder, estava nas quartas da Copa do Brasil e nas oitavas da Conmebol Libertadores. Quer sair? Sai, mas deixa o time organizado. Não foi o que se viu no Beira-Rio”, disse, para depois encerrar:
“O primeiro jogo nosso era o time do Coudet. Usava o Lindoso vindo fazer linha de três, coisa que eu não gosto e não acho nada de moderno. Muita bola longa, segunda bola. E quando sai da pressão, no caso o América-MG, existia fragilidade no lado oposto. Tanto que fizemos 1×0 e poderíamos ter matado o jogo várias vezes. Depois, no jogo da volta, o Abel deixou mais consistente. Mudou o meio com Dourado, Lindoso, Edenilson e D’Alessandro. Mas a gente sabia que eles teriam poucas combinações de lado. Os laterais eram habituados a chegar e cruzar. Fizemos boa gestão da área na bola aérea com o Messias e o Anderson. Foi um merecimento grande do América-MG, controlou nos dois jogos. O Inter teve o mérito da raça, mas achou o gol”.
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Confira a íntegra da entrevista:









